Lídia Maria Ferreira é uma pescadora da bonita ilha de São Jorge, freguesia da Urzelina.
Ao contrário de algumas mulheres da pesca entrevistadas anteriormente, a sua ligação com o sector piscatória iniciou-se há poucos anos.
Lídia Ferreira anteriormente desempenhava outras tarefas, trabalhava com o marido na carpintaria, mais tarde cortou lenha que era vendida a fábricas e cooperativas. Foi sempre uma grande trabalhadora, mãe e esposa.
O marido de Lídia gostava de pescar e foi daí que surgiu a ideia de irem ao mar, inicialmente praticaram pesca desportiva. Com o passar do tempo tiraram cédula marítima e arranjaram um barco maior “Família Sousa”.
Quanto ao trabalho que desempenha na pesca, Lídia Ferreira para além de ir ao mar, faz aparelhos de pesca, prepara o engodo e a isca e trata da administração do barco.
Lídia tem três filhos e todos eles gostam de ir ao mar. O seu filho mais velho, sempre que é necessário vai pescar com o pai e a mãe, gosta muito de ser pescador e não faz desta actividade uma profissão devido à instabilidade e falta de salários fixos.
Quando questionada sobre discriminação, Lídia refere nunca ter sido alvo, muitas pessoas consideram-na corajosa e aventureira. Lídia menciona um episódio engraçado em que de madrugada antes de ir para o mar, também passa no café, como muitos pescadores homens e isso nunca foi criticado.
Lídia faz parte da Ilhas em Rede, Associação de Mulheres na Pesca nos Açores e segundo ela tem sido uma experiência muito enriquecedora e uma ótima forma de dar visibilidade ao trabalho das mulheres da pesca.
É muito importante que as mulheres se façam representar em encontros e debates, que mostrem o seu interesse em matéria da pesca e mantenham-se informadas acerca de legislação, despachos e portarias.
Entrevista: Joana Medeiros
Foto: Laurinda Sousa
Publicada no Jornal Açoriano Oriental, Página Voz dos Marítimos, 17 de Dezembro de 2011
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