sexta-feira, 20 de maio de 2011

Glória Brasil, mulher da pesca da ilha Terceira


Maria da Glória Brasil é uma mulher da pesca, natural da ilha Terceira, vive na bonita freguesia de São Mateus da Calheta, é presidente da Associação de Mulheres de Armadores da ilha Terceira (AMPA) e sócia da Ilhas em Rede integrando a direcção.

A sua ligação com a pesca surgiu há alguns anos, quando se casou com o pescador José Manuel. A partir desta altura Glória Brasil começou a fazer gamelas (arte de pesca muito habitual na ilha Terceira) e a tratar da administração do barco.

Glória Brasil tem dois filhos/as a Ana Maria e o José, e foi com muito orgulho que referiu que o seu filho está a terminar o curso para adquirir a cédula marítima, um sonho que sempre teve.

Sobre a discriminação sentida por algumas mulheres da pesca, Glória referiu que nunca se sentiu discriminada, fazia gamelas em casa e não se importava com o que os outros pensavam, sentia orgulho no que fazia.

Porém, ao participar na formação para mulheres da pesca em São Mateus, desenvolvida pela UMAR-Açores no Mudança de Maré (Projecto Equal), constatou que a realidade das mulheres na pesca não era a mesma em todas as ilhas, e que havia muitas mulheres discriminadas e cujo trabalho na pesca era invisível e desvalorizado, daí a importância de se criar uma associação como a AMPA.

Quanto às medidas que têm sido aplicadas ao sector da pesca, Glória Brasil mencionou que a melhor solução não é apenas o aumento da frota pesqueira, mas também o abate de alguns barcos.

Como sócia da Ilhas em Rede, considera muito importante o trabalho que tem sido feito por esta associação, pois é fundamental que se dê a conhecer nacionalmente e internacionalmente o trabalho desenvolvido pelas mulheres na pesca nos Açores.

Joana Medeiros

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Ilhas em Rede reuniu com eurodeputados/as da Comissão Parlamentar das Pescas


No passado dia 15 de Abril, um grupo de mulheres associadas da Ilhas em Rede - Associação de Mulheres na Pesca nos Açores, participaram no encontro em Ponta Delgada, promovido pela Eurodeputada Maria do Céu Patrão Neves, com eurodeputados/as da Comissão Parlamentar das Pescas.

Este encontro constituiu, também, uma oportunidade para falar sobre o papel das mulheres na pesca e colocar alguns dos problemas mais sentidos pelas mulheres nas comunidades piscatórias.

Por outro lado, houve algumas perguntas e questões colocadas pelos/as deputados/as, às quais procuramos responder.

Acerca da percentagem de mulheres na pesca nos Açores, informamos que no total dos subsectores, as mulheres representam 17,5 por cento do total.

A questão dos Grupos de Acção Costeira, foi uma das questões colocadas por um deputado, alertando para a sua importância bem como também do Eixo 4 do FEP. Sobre este assunto, alertou-se para o facto de o Eixo 4 só ter sido regulamentado na região, no segundo semestre do ano 2010. Referimos a nossa apreensão sobre a aplicação tardia deste programa nesta região arquipelágica, com grande peso da pesca e das comunidades pistatórias, e manifestamos a nossa preocupação e expectativa de que o prazo de finalização do FEP venha a ser alargado, permitindo assim um tempo razoável para a implementação dos GACs e dos possíveis projectos de desenvolvimento que venham a surgir para as zonas costeiras nos Açores.

A associação Ilhas em Rede, correspondeu, assim, ao convite da Eurodeputada Patrão Neves e no encontro marcaram presença: Lurdes Batista, Clarisse Canha, Maria do Espírito Santo Ferreira, Lurdes Moniz, Maria dos Anjos Medeiros, Joana Medeiros e Marília dos Anjos M. Pacheco.

Texto: Clarisse Canha

Fotos: Nuno Campos

segunda-feira, 11 de abril de 2011

“Como elas se tornaram visíveis”

“As Mulheres da Pesca nos Açores – Como se tornaram visíveis” foi o tema da apresentação da UMAR na Conferencia Internacional “It’s not only about the fish” – Social and Cultural Perspectives of Sustainable Marine Fisheries” que teve lugar na Universidade de Greenwich, em Londres, Inglaterra, nos dias 4 e 5 de Abril.

A apresentação, inserida no Painel "As mulheres e o Género na Pesca" focou duas vertentes: o caminho percorrido na última década pelas mulheres que trabalham no sector da pesca extractiva nos Açores; a metodologia de Investigação, Acção, Participação, que tem sido levada a cabo pela UMAR tendo em vista a valorização e o reconhecimento do trabalho dessas mesmas mulheres.

Contando com cerca de uma centena de investigadores e profissionais oriundos de vários países do mundo (como Austrália, Brasil, Canadá, França, Bélgica, Estónia, Inglaterra e Portugal, entre outros) a conferência de Greenwich permitiu uma abordagem multidisciplinar da pesca sustentável com ênfase nas perspectivas sociais e culturais relacionadas com a actividade e com as comunidades piscatórias.

A necessidade de uma maior interligação entre politica, ciência e comunidades foi uma das principais conclusões a que chegaram os especialistas após os dois dias de trabalho. Foi também consensual o facto de que tem havido um défice de entendimento/compreensão do impacto sociocultural nas comunidades na sequência das reformas e politicas de pesca.

Garantido parece estar o prolongamento do Eixo 4 do Fundo Europeu das Pescas, para além de 2013, segundo o representante da Comissão Europeu presente nesta conferência. Uma ferramenta muito importante tendo em conta o enfoque dado às comunidades piscatórias para além de que abre portas a um maior envolvimento e participação das mulheres.

As temáticas abordadas durante os dois dias de conferência foram:

- D Diversificação das Actividades da Pesca; Politica e Gestão de Pescas; Cultura e Património das Comunidades Piscatórias; Gestão Local para a Pesca Sustentável; Industria Pesqueira e Gestão das Zonas Costeiras; Impactos Sociais das Pescas; Conhecimentos locais e ecológicos da pesca; As mulheres e o género na pesca; A Pesca e a Dependência do Peixe; Senso de Lugar e Identidade nas Comunidades Pesqueiras


Foto e texto: Laurinda Sousa

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Entrevista à jovem pescadora

Jael Raposo tem 17 anos e é natural da Ribeira Seca, concelho da Ribeira Grande. É filha de Zilda Silva uma armadora e grande mulher da pesca.

Inicialmente a família de Jael Raposo não estavam muito ligados ao sector piscatório, a sua mãe tinha uma loja e o seu pai era mergulhador. Porém há 10 anos atrás decidiram comprar uma embarcação e fazer da pesca o seu sustento de vida.

As irmãs de Jael Raposo iam para o mar com a mãe e o pai, e ajudavam em todas as tarefas necessárias, enquanto ela ia para a escola. Esta situação nunca lhe agradou muito, ela começava a gostar cada vez mais da vida do mar, porque como diz o ditado “quem sai aos seus não degenera”.

Por esta razão aos 16 anos Jael Raposo decidiu sair da escola e dedicar-se à vida da pesca, como o seu pai, mãe e irmãs.

Quando questionada acerca de questões relacionadas com a discriminação Jael menciona que nunca se sentiu discriminada, até pelo contrário em algumas situações costuma ser elogiada pelo seu trabalho na pesca sempre feito com muito orgulho, empenho e dedicação, razão pela qual nunca teve vergonha de ser pescadora.

Jael Raposo é a mais nova mulher da pesca pertencente ao núcleo da Ilhas em Rede, em São Miguel, e é com muito gosto e satisfação que participa em todas as actividades que são desenvolvidas, com alguma frequência, pela UMAR-Açores e pela Ilhas em Rede.

Relativamente à mais recente actividade em que as mulheres da pesca dos Açores estiveram presentes, a celebração do Dia Internacional da Mulher, Jael Raposo refere que foi com muito prazer que participou nas actividades no Faial, uma vez que pôde demonstrar através da feira exposição algum trabalho que desenvolve diariamente, como a preparação das redes, para além de que, segundo ela, o convívio e a troca de experiências é muito rico e gratificante.

Texto: Joana Medeiros

quarta-feira, 30 de março de 2011

Celebração do Dia Internacional da Mulher - S.Miguel


No âmbito das Comemorações do Dia Internacional da Mulher, a UMAR-Açores em conjunto com a DRIO, e parcerias como a Ilhas em Rede, AMPA, Descalças Cooperativa Cultural entre outras, realizou actividades em diferentes ilhas.

Em São Miguel as actividades realizaram-se no Centro Cívico e Cultural de Sta. Clara, no dia 3 de Março decorreu a abertura da exposição de fotografias "Mulheres semeando um outro Mar" e a apresentação do documentário "ComPassos de Mudança" resultado do Teatro d@ Oprimid@ realizado pelas mulheres da pesca dos Açores na Ribeira Quente. Durante a abertura da exposição decorreram momentos de líricos acerca da mulher e o mar, e momentos musicais.

Entre os dias 3 e 18 de Março, foram feitas visitas guiadas à exposição com grupos escolares em que se realizaram diferentes dinâmicas utilizando a fotografia e o lúdico como agentes de discussão e transformação da realidade.

No dia 18 de Março deu-se o encerramento das celebrações do Dia Internacional da Mulher com a palestra "O Género Igualdades e Desigualdades" seguiu-se o fórum "O Género a Profissão" em que estiveram presentes mulheres com profissões pouco habituais, nomeadamente, duas faroleiras, uma pescadora, e três empresárias, agro-turismo, S.O.S. Casa e Jardim, café "Tecelagem". Foram testemunhos muito ricos que sensibilizaram, todos/as os/as presentes.

As celebrações do Dia Internacional da Mulher encerraram com um momento de poesia fundamentado no poema "Calçada de Carriche" de António Gedeão.

Estas actividades tiveram como finalidade a valorização das mulheres na pesca, e também a partilha de experiências e vivências de mulheres da sociedade em geral, salientando deste modo, a importância da igualdade de género e de oportunidades em todos os sectores da vida.


Texto: Joana Medeiros

Foto: Laurinda Sousa

quinta-feira, 17 de março de 2011

As Mulheres e o Mar em foco no Faial


Nos dias 11 e 12 de Março de 2011 realizaram-se na Sala dos Óleos da Fábrica da Baleia as comemorações do dia Internacional da Mulher. Uma iniciativa conjunta entre a UMAR (União de Mulheres Alternativa e Resposta) e a DRIO (Direcção Regional da Igualdade de Oportunidades). Este ano o tema em foco foi “As mulheres e o mar”, pela valorização da igualdade de género e de oportunidades em todos os sectores da vida pública. Neste aspecto realce-se o papel da UMAR-Açores pelo esforço de dar visibilidade às muitas mulheres que de forma produtiva, mas nem sempre reconhecida, trabalham no sector das Pescas nos Açores.
Para estas comemorações deslocaram-se à ilha do Faial várias mulheres, que trabalham directamente no sector das pescas, e que vieram da ilha de São Miguel, do Pico, Terceira e Graciosa. A exposição “As mulheres e o mar”, que inaugurou no dia 11, contava com os vários trabalhos de artesanato realizados por estas mulheres do mar e com a demonstração da preparação de diversas artes de pesca, como as gamelas e as redes de emalhar. Para sensibilizar os mais novos para as questões da igualdade de oportunidades, realizaram-se neste dia visitas guiadas para o público escolar a esta exposição. Ao fim do dia realizou-se o fórum “O género e a profissão” que contou com a participação e testemunho de mulheres de diferentes sectores económicos.
No sábado dia 12, realizou-se o Teatro Fórum, experiência que vai ao encontro do Teatro do Oprimido, isto é, o público, que além de espectador se transforma em actor, interage com os actores e as actrizes em cena e juntos debatem o problema apresentado e tentam apontar soluções. Pretende-se que ocorra uma partilha e discussão grupal e/ou pública de problemas e opressões que muitas vezes nos são invisíveis ou foram tornadas “naturais”. Com a Sala dos Óleos lotada foi surpreendente ver o público a aderir a esta experiência e a interagir activamente. De seguida foi apresentado o documentário “Compassos de mudança” sobre uma Oficina de Teatro d@ Oprimid@ levada a cabo na comunidade piscatória da Ribeira Quente.

Texto: www.oma.pt
Foto: Laurinda Sousa

sexta-feira, 4 de março de 2011

Romper barreiras e combater discriminações


O Dia Internacional da Mulher e as Mulheres da Pesca

Mãe, esposa e dona de casa. O papel da mulher durante séculos esteve confinado a estas funções no seio da esfera familiar. Só a partir da Revolução Industrial, na segunda metade do século XIX é que as mulheres passaram a exercer actividade profissional, embora auferindo remuneração inferior à dos homens.
Passados todo este tempo, e não obstante algumas conquistas alcançadas pelas mulheres, muitas delas consagradas na legislação dos diferentes países, a verdade é que subsistem ainda muitas discriminações e preconceitos em relação ao papel da mulher na sociedade.
A comprová-lo, por exemplo, as discriminações salariais que persistem, o ainda diminuto número de mulheres em lugares de chefia, a jornada dupla feminina de trabalho fora e dentro de casa, entre outras. Alguns progressos são no entanto já visíveis, e hoje, não sendo ainda uma balança totalmente equilibrada em termos de divisão de responsabilidades, a colaboração dos homens nas tarefas domésticas é uma realidade em algumas famílias.
Para além disso, actualmente é possível ver mulheres integradas em praticamente todos os ramos profissionais. Assim é também no sector da pesca. Aqui, e não obstante as múltiplas tarefas desempenhadas pela mão feminina ao longo de várias gerações, o facto é que se tratava de uma realidade invisível e de um trabalho desvalorizado. Só há cerca de uma década atrás, a mulher, especialmente a ligada à pesca extractiva, começou a emergir aos olhos da sociedade.
Verdadeiras protagonistas num sector económico que enfrenta graves dificuldades, as mulheres da pesca açorianas tem vindo a conquistar o seu espaço, ganhando visibilidade, auto-confiança e determinação para fazer valer os seus direitos. Conquistas que em muito se devem ao trabalho desenvolvido pela UMAR - Açores.
É pois partindo deste exemplo, de valorização das conquistas e das etapas percorridas por estas mulheres, que representam ao mesmo tempo a valorização também das lutas e das conquistas pela igualdade de género e de oportunidades em todos os sectores da vida pública, que surge a iniciativa conjunta entre a UMAR e a DRIO para a celebração do Dia Internacional da Mulher.
As celebrações este ano não se circunscrevem ao dia 8 de Março (o dia institucional) por coincidir com a Terça-feira de Carnaval, antes vão ter início dia 3 de Março e terminar dia 18. Do programa, que abrange as ilhas São Miguel, Terceira e Faial, constam actividades como exposições, fóruns, palestras, Teatro Fórum, exibição de filme e apresentação de documentário sobre uma Oficina de Teatro d@ Oprimid@ levada a cabo na comunidade piscatória da Ribeira Quente.
Porque se pretende também sensibilizar os mais novos, os homens e as mulheres de amanhã, para as questões da igualdade de oportunidades, estão preparadas visitas guiadas para público escolar, podendo as marcações ser efectuadas por mail: descalças@gmail.com ou através do telefone nº 916448665.

São parceiras nesta celebração: Descalças, Cooperativa Cultural; Corredor, Associação Cultural; Câmara Municipal da Horta; Ilhas em Rede, AMPA.

Apoios logísticos: Centro Cívico e Cultural de Stª Clara; Casa do Povo de S. Mateus; Observatório do Mar dos Açores; SRAM; SRP e Junta de Freguesia do Capelo.

Laurinda Sousa

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Entrevista a Leonilde Medeiros Canário


Leonilde Canário é uma mulher da pesca natural dos Mosteiros, tem duas filhas, é casada com Manuel José Canário, têm o barco “Flor dos Mosteiros 187” que é o sustento da sua família.
O seu pai e avô eram pescadores, e a sua mãe também tinha cédula marítima, por isso, desde pequena que está ligada ao sector piscatório, “ajudando” em todas as actividades relacionadas com a pesca.
Assim que o seu barco chega a terra começa toda a sua lida, Leonilde vai para o porto ajudar o marido a carregar o peixe, a separá-lo de acordo com o peso e tamanho, lava o barco, prepara os anzóis para a isca e, algumas vezes trata da administração do barco, dirigindo-se à Lotaçor e à Capitania.
Durante o Inverno, dedica-se à apanha da minhoca e do caranguejo para a isca.
Relativamente à questão da discriminação, Leonilde refere que não se sentia discriminada pelos homens, porém algumas mulheres criticavam-na por ir para o porto um “lugar de homens”. Mas ela nunca se importou com esse tipo de comentários, pois tem muito orgulho em ser uma mulher da pesca.
Apesar disso, devido à crise porque está a passar toda a economia, nomeadamente o sector piscatório, Leonilde hoje em dia não recomenda esta vida.
Segundo ela as medidas/leis implementadas pelo Governo nem sempre beneficiam os pescadores, muitas vezes esquecem-se que o sustento de muitas famílias depende da pesca e da ida para o mar, e devido às constantes leis e proibições que são impostas este sector tem vindo a perder reconhecimento.
Leonilde refere com alguma nostalgia que muitos jovens já não querem seguir a vida da pesca, ao contrário dos seus pais e avós, terminando assim com uma tradição de família.
Para ela um dos motivos tem a ver com o facto de este sector não garantir uma remuneração fixa todos os meses, o que nos dias que correm é fundamental.

Texto e foto: Joana Medeiros

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Entrevista a Lurdes Batista


Maria de Lurdes Batista nasceu em Angra do Heroísmo. Aos 4 anos de idade veio para S.Miguel com os seus pais e desde então vive na freguesia de Água de Pau.
Ao contrário de outras mulheres da pesca, entrevistadas anteriormente, Lurdes Batista nem sempre se dedicou à vida da pesca, a sua família vivia do campo e ela ajudava os seus pais em todos os trabalhos inerentes à agricultura.
Aos 16 anos, casou-se com António Sousa e foi a partir daí que se iniciou a sua vida na pesca. Lurdes Batista é uma grande mulher da pesca, trata de toda a administração do barco, da preparação do engodo (isca), dos aparelhos de pesca, etc, além de ir para o mar!
Inicialmente Lurdes Batista era muito discriminada por ir para o mar com o seu marido, mas não se importava, a sua família apoiava-a e ela tinha orgulho em ser pescadora.
Uma grande prova de respeito, por parte de pescadores e armadores, surgiu no ano de 2010, quando Lurdes Batista foi eleita secretária da Mesa da Assembleia Geral da Porto de Abrigo, nomeadamente, a primeira mulher a fazer parte dos órgãos sociais da Cooperativa.
Em 2008 integrou-se na “Ilhas em Rede Associação de Mulheres na Pesca nos Açores”, e é com um grande agrado que tem seguido o desenvolvimento crescente desta associação.
Lurdes Batista Lopes tem participado em actividades e encontros da Associação Ilhas em Rede, que segundo ela são extremamente importantes para a valorização da mulher no sector piscatório.
Relativamente à crise que tem afectado o sector das pescas, Lurdes Batista refere que as coisas têm vindo a piorar, o pescador muitas vezes nem ganham para as despesas.
É por esta razão que Lurdes Batista hoje em dia não recomenda a vida da pesca, apesar de nunca ter pensando ter outra profissão.

Texto e foto: Joana Medeiros

Rabo de Peixe acolheu histórias e vivências de mulheres da pesca


Mulheres da pesca dinamizaram e protagonizaram fim de semana diferente na freguesia de Rabo de Peixe.

Verdadeiras protagonistas num sector que enfrenta graves dificuldades, as mulheres da pesca nos Açores tem vindo a conquistar o seu espaço, ganhando visibilidade, auto-confiança e determinação para a mudança.

O fim de semana de 22 e 23 de Janeiro, em Rabo de Peixe ,demonstrou isso mesmo através da iniciativa promovida pela UMAR-Açores em parceria com a Ilhas em Rede – Associação de Mulheres na Pesca dos Açores e Descalças, Cooperativa Cultural.

A peça de Teatro Fórum, reposta em cena por algumas mulheres e resultado de uma Oficina de Teatro d@ Oprimid@ (TO) realizada anteriormente na Ribeira Quente, fez eco não só das suas preocupações mas também da necessidade que sentem em encontrar soluções para as mesmas. No caso em concreto a peça apresentada em público (e as peças em TO partem sempre de histórias reais) tinha como temática a de alguém que tinha efectuado uma candidatura para modernização / aquisição de novo barco sendo que o apoio conseguido para tal ficou muito abaixo das suas esperanças e do que achava justo.

Nesta forma de Teatro, o público, que além de espectador se transforma em actor, interage com os actores e as actrizes em cena e juntos debatem o problema e tentam apontar soluções. No fundo é essa a filosofia do Teatro Fórum, ou seja uma estratégia de partilha e discussão grupal e/ou pública de problemas e opressões que muitas vezes nos são invisíveis ou foram tornadas “naturais”.

Esta iniciativa teve lugar na tarde de sábado, dia 22 de Janeiro, na sede do Sindicato de Pescadores de Rabo de Peixe, e , para além do Teatro, abrangeu ainda a exibição do documentário “Ciclo das Horas” de Sheila Calgaro, sobre a pesca industrial no Brasil, bem como a apresentação do videoclip “Viagem” de Maria Simões, sobre o TO na Ribeira Quente.

No público, em número bastante considerável, e para além de elementos da comunidade de Rabo do Peixe, estiveram presentes mulheres da pesca de outras ilhas, sócias da Ilhas em Rede, que no domingo realizou a sua 3ª Assembleia Geral.


Texto e foto: Laurinda Sousa

Ver mais fotos no blogue da Ilhas em Rede: http://ilhasemrede.wordpress.com/