quinta-feira, 17 de março de 2011

As Mulheres e o Mar em foco no Faial


Nos dias 11 e 12 de Março de 2011 realizaram-se na Sala dos Óleos da Fábrica da Baleia as comemorações do dia Internacional da Mulher. Uma iniciativa conjunta entre a UMAR (União de Mulheres Alternativa e Resposta) e a DRIO (Direcção Regional da Igualdade de Oportunidades). Este ano o tema em foco foi “As mulheres e o mar”, pela valorização da igualdade de género e de oportunidades em todos os sectores da vida pública. Neste aspecto realce-se o papel da UMAR-Açores pelo esforço de dar visibilidade às muitas mulheres que de forma produtiva, mas nem sempre reconhecida, trabalham no sector das Pescas nos Açores.
Para estas comemorações deslocaram-se à ilha do Faial várias mulheres, que trabalham directamente no sector das pescas, e que vieram da ilha de São Miguel, do Pico, Terceira e Graciosa. A exposição “As mulheres e o mar”, que inaugurou no dia 11, contava com os vários trabalhos de artesanato realizados por estas mulheres do mar e com a demonstração da preparação de diversas artes de pesca, como as gamelas e as redes de emalhar. Para sensibilizar os mais novos para as questões da igualdade de oportunidades, realizaram-se neste dia visitas guiadas para o público escolar a esta exposição. Ao fim do dia realizou-se o fórum “O género e a profissão” que contou com a participação e testemunho de mulheres de diferentes sectores económicos.
No sábado dia 12, realizou-se o Teatro Fórum, experiência que vai ao encontro do Teatro do Oprimido, isto é, o público, que além de espectador se transforma em actor, interage com os actores e as actrizes em cena e juntos debatem o problema apresentado e tentam apontar soluções. Pretende-se que ocorra uma partilha e discussão grupal e/ou pública de problemas e opressões que muitas vezes nos são invisíveis ou foram tornadas “naturais”. Com a Sala dos Óleos lotada foi surpreendente ver o público a aderir a esta experiência e a interagir activamente. De seguida foi apresentado o documentário “Compassos de mudança” sobre uma Oficina de Teatro d@ Oprimid@ levada a cabo na comunidade piscatória da Ribeira Quente.

Texto: www.oma.pt
Foto: Laurinda Sousa

sexta-feira, 4 de março de 2011

Romper barreiras e combater discriminações


O Dia Internacional da Mulher e as Mulheres da Pesca

Mãe, esposa e dona de casa. O papel da mulher durante séculos esteve confinado a estas funções no seio da esfera familiar. Só a partir da Revolução Industrial, na segunda metade do século XIX é que as mulheres passaram a exercer actividade profissional, embora auferindo remuneração inferior à dos homens.
Passados todo este tempo, e não obstante algumas conquistas alcançadas pelas mulheres, muitas delas consagradas na legislação dos diferentes países, a verdade é que subsistem ainda muitas discriminações e preconceitos em relação ao papel da mulher na sociedade.
A comprová-lo, por exemplo, as discriminações salariais que persistem, o ainda diminuto número de mulheres em lugares de chefia, a jornada dupla feminina de trabalho fora e dentro de casa, entre outras. Alguns progressos são no entanto já visíveis, e hoje, não sendo ainda uma balança totalmente equilibrada em termos de divisão de responsabilidades, a colaboração dos homens nas tarefas domésticas é uma realidade em algumas famílias.
Para além disso, actualmente é possível ver mulheres integradas em praticamente todos os ramos profissionais. Assim é também no sector da pesca. Aqui, e não obstante as múltiplas tarefas desempenhadas pela mão feminina ao longo de várias gerações, o facto é que se tratava de uma realidade invisível e de um trabalho desvalorizado. Só há cerca de uma década atrás, a mulher, especialmente a ligada à pesca extractiva, começou a emergir aos olhos da sociedade.
Verdadeiras protagonistas num sector económico que enfrenta graves dificuldades, as mulheres da pesca açorianas tem vindo a conquistar o seu espaço, ganhando visibilidade, auto-confiança e determinação para fazer valer os seus direitos. Conquistas que em muito se devem ao trabalho desenvolvido pela UMAR - Açores.
É pois partindo deste exemplo, de valorização das conquistas e das etapas percorridas por estas mulheres, que representam ao mesmo tempo a valorização também das lutas e das conquistas pela igualdade de género e de oportunidades em todos os sectores da vida pública, que surge a iniciativa conjunta entre a UMAR e a DRIO para a celebração do Dia Internacional da Mulher.
As celebrações este ano não se circunscrevem ao dia 8 de Março (o dia institucional) por coincidir com a Terça-feira de Carnaval, antes vão ter início dia 3 de Março e terminar dia 18. Do programa, que abrange as ilhas São Miguel, Terceira e Faial, constam actividades como exposições, fóruns, palestras, Teatro Fórum, exibição de filme e apresentação de documentário sobre uma Oficina de Teatro d@ Oprimid@ levada a cabo na comunidade piscatória da Ribeira Quente.
Porque se pretende também sensibilizar os mais novos, os homens e as mulheres de amanhã, para as questões da igualdade de oportunidades, estão preparadas visitas guiadas para público escolar, podendo as marcações ser efectuadas por mail: descalças@gmail.com ou através do telefone nº 916448665.

São parceiras nesta celebração: Descalças, Cooperativa Cultural; Corredor, Associação Cultural; Câmara Municipal da Horta; Ilhas em Rede, AMPA.

Apoios logísticos: Centro Cívico e Cultural de Stª Clara; Casa do Povo de S. Mateus; Observatório do Mar dos Açores; SRAM; SRP e Junta de Freguesia do Capelo.

Laurinda Sousa

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Entrevista a Leonilde Medeiros Canário


Leonilde Canário é uma mulher da pesca natural dos Mosteiros, tem duas filhas, é casada com Manuel José Canário, têm o barco “Flor dos Mosteiros 187” que é o sustento da sua família.
O seu pai e avô eram pescadores, e a sua mãe também tinha cédula marítima, por isso, desde pequena que está ligada ao sector piscatório, “ajudando” em todas as actividades relacionadas com a pesca.
Assim que o seu barco chega a terra começa toda a sua lida, Leonilde vai para o porto ajudar o marido a carregar o peixe, a separá-lo de acordo com o peso e tamanho, lava o barco, prepara os anzóis para a isca e, algumas vezes trata da administração do barco, dirigindo-se à Lotaçor e à Capitania.
Durante o Inverno, dedica-se à apanha da minhoca e do caranguejo para a isca.
Relativamente à questão da discriminação, Leonilde refere que não se sentia discriminada pelos homens, porém algumas mulheres criticavam-na por ir para o porto um “lugar de homens”. Mas ela nunca se importou com esse tipo de comentários, pois tem muito orgulho em ser uma mulher da pesca.
Apesar disso, devido à crise porque está a passar toda a economia, nomeadamente o sector piscatório, Leonilde hoje em dia não recomenda esta vida.
Segundo ela as medidas/leis implementadas pelo Governo nem sempre beneficiam os pescadores, muitas vezes esquecem-se que o sustento de muitas famílias depende da pesca e da ida para o mar, e devido às constantes leis e proibições que são impostas este sector tem vindo a perder reconhecimento.
Leonilde refere com alguma nostalgia que muitos jovens já não querem seguir a vida da pesca, ao contrário dos seus pais e avós, terminando assim com uma tradição de família.
Para ela um dos motivos tem a ver com o facto de este sector não garantir uma remuneração fixa todos os meses, o que nos dias que correm é fundamental.

Texto e foto: Joana Medeiros

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Entrevista a Lurdes Batista


Maria de Lurdes Batista nasceu em Angra do Heroísmo. Aos 4 anos de idade veio para S.Miguel com os seus pais e desde então vive na freguesia de Água de Pau.
Ao contrário de outras mulheres da pesca, entrevistadas anteriormente, Lurdes Batista nem sempre se dedicou à vida da pesca, a sua família vivia do campo e ela ajudava os seus pais em todos os trabalhos inerentes à agricultura.
Aos 16 anos, casou-se com António Sousa e foi a partir daí que se iniciou a sua vida na pesca. Lurdes Batista é uma grande mulher da pesca, trata de toda a administração do barco, da preparação do engodo (isca), dos aparelhos de pesca, etc, além de ir para o mar!
Inicialmente Lurdes Batista era muito discriminada por ir para o mar com o seu marido, mas não se importava, a sua família apoiava-a e ela tinha orgulho em ser pescadora.
Uma grande prova de respeito, por parte de pescadores e armadores, surgiu no ano de 2010, quando Lurdes Batista foi eleita secretária da Mesa da Assembleia Geral da Porto de Abrigo, nomeadamente, a primeira mulher a fazer parte dos órgãos sociais da Cooperativa.
Em 2008 integrou-se na “Ilhas em Rede Associação de Mulheres na Pesca nos Açores”, e é com um grande agrado que tem seguido o desenvolvimento crescente desta associação.
Lurdes Batista Lopes tem participado em actividades e encontros da Associação Ilhas em Rede, que segundo ela são extremamente importantes para a valorização da mulher no sector piscatório.
Relativamente à crise que tem afectado o sector das pescas, Lurdes Batista refere que as coisas têm vindo a piorar, o pescador muitas vezes nem ganham para as despesas.
É por esta razão que Lurdes Batista hoje em dia não recomenda a vida da pesca, apesar de nunca ter pensando ter outra profissão.

Texto e foto: Joana Medeiros

Rabo de Peixe acolheu histórias e vivências de mulheres da pesca


Mulheres da pesca dinamizaram e protagonizaram fim de semana diferente na freguesia de Rabo de Peixe.

Verdadeiras protagonistas num sector que enfrenta graves dificuldades, as mulheres da pesca nos Açores tem vindo a conquistar o seu espaço, ganhando visibilidade, auto-confiança e determinação para a mudança.

O fim de semana de 22 e 23 de Janeiro, em Rabo de Peixe ,demonstrou isso mesmo através da iniciativa promovida pela UMAR-Açores em parceria com a Ilhas em Rede – Associação de Mulheres na Pesca dos Açores e Descalças, Cooperativa Cultural.

A peça de Teatro Fórum, reposta em cena por algumas mulheres e resultado de uma Oficina de Teatro d@ Oprimid@ (TO) realizada anteriormente na Ribeira Quente, fez eco não só das suas preocupações mas também da necessidade que sentem em encontrar soluções para as mesmas. No caso em concreto a peça apresentada em público (e as peças em TO partem sempre de histórias reais) tinha como temática a de alguém que tinha efectuado uma candidatura para modernização / aquisição de novo barco sendo que o apoio conseguido para tal ficou muito abaixo das suas esperanças e do que achava justo.

Nesta forma de Teatro, o público, que além de espectador se transforma em actor, interage com os actores e as actrizes em cena e juntos debatem o problema e tentam apontar soluções. No fundo é essa a filosofia do Teatro Fórum, ou seja uma estratégia de partilha e discussão grupal e/ou pública de problemas e opressões que muitas vezes nos são invisíveis ou foram tornadas “naturais”.

Esta iniciativa teve lugar na tarde de sábado, dia 22 de Janeiro, na sede do Sindicato de Pescadores de Rabo de Peixe, e , para além do Teatro, abrangeu ainda a exibição do documentário “Ciclo das Horas” de Sheila Calgaro, sobre a pesca industrial no Brasil, bem como a apresentação do videoclip “Viagem” de Maria Simões, sobre o TO na Ribeira Quente.

No público, em número bastante considerável, e para além de elementos da comunidade de Rabo do Peixe, estiveram presentes mulheres da pesca de outras ilhas, sócias da Ilhas em Rede, que no domingo realizou a sua 3ª Assembleia Geral.


Texto e foto: Laurinda Sousa

Ver mais fotos no blogue da Ilhas em Rede: http://ilhasemrede.wordpress.com/

Entrevista a Mª do Espírito Santo Cabral


Maria do Espírito Santo Cabral é uma mulher da pesca residente na bonita Vila de Rabo de Peixe. É casada com João Manuel Machado, tem 9 filhos, dos quais 6 são raparigas e 3 são rapazes.
Desde jovem que está ligada à pesca, uma vez que sempre ajudou o seu pai, “um grande pescador” segundo ela. Depois de casar comprou um barco, que até hoje é o sustento da sua casa.
Maria do Espirito Santo menciona que, apesar de algumas vezes se ter sentido discriminada, nunca se importou e nunca deixou de fazer o que quer que fosse porque tem muito gosto em viver da pesca.
Os seus três filhos e um genro vão para o mar com o senhor Manuel, e Mª do Espírito Santo fica em casa a cuidar de uma grande família, da administração do barco, da preparação do engodo, entre muitas outras coisas inerentes à pesca. Porém tem pena de nunca ter ido para o mar com o seu marido, “era uma experiência que gostava muito de ter”, refere.
Mª do Espirito Santo recorda, com alguma nostalgia, a luta e as manifestações preconizadas pelos pescadores, e até por ela própria, com o apoio de Liberato Fernandes, sobretudo, há 15 anos atrás quando pela primeira vez os pescadores de São Miguel receberam o subsídio de mau tempo (Fundo de Pesca), que este ano teima em ser negado. Foi uma altura em que os pescadores se juntaram para lutar pelos seus direitos e conseguiram.
Maria do Epirito Santo refere, emocionada, que hoje em dia e infelizmente os pescadores já não estão tão unidos, estão desmotivados e a crise tem sido uma das grandes razões desta desmotivação. O pouco dinheiro que levam para casa não dá para as despesas básicas, muitas vezes ela questiona-se: “como vamos sobreviver com tão pouco?”
Para Maria do Espírito Santo, as medidas que o governo tem tomado para o sector das pescas não têm sido eficazes prejudicando os pescadores e as suas familias.

Foto e texto: Joana Medeiros

Entrevista a Maria Jorgina Raposo


Jorgina Raposo é uma mulher da pesca natural da Vila de Nordeste, tem dois filhos, uma rapariga e um rapaz, fruto do seu casamento com Ernesto Raposo.

A sua vida na pesca teve sempre muitos altos e baixos, algum tempo depois de casar comprou um barco com o seu marido onde trabalhavam com artes de cerco. Infelizmente com as cheias o mar levou-lhes tudo o que tinham construído, depois compraram um novo barco e devido a algumas alterações na lei passaram a trabalhar com artes de rede de emalhar.

Para que nada faltasse aos seus filhos e para que pudessem ter uma vida adequada, sempre com muito trabalho e sacrifício, quando a vida permitiu compraram uma carrinha e foi a partir daí que as coisas se complicaram um pouco mais. Jorgina referiu que quando saia para vender peixe era muito discriminada, não tanto pelos homens, pois estes limitavam-se a olhar-lhe de lado, mas pelas mulheres que eram muito severas, chamando-lhe nomes e criticando-a pelo trabalho que desempenhava. Para além da venda do peixe Jorgina também trabalhava na administração do barco, consequentemente nas compras e pagamentos dos pescadores.

Devido a todas as dificuldades e adversidades inerentes à vida na pesca Jorgina, hoje em dia, não recomenda esta profissão. Contudo refere que não mudaria de profissão, até porque, enquanto trabalhou 18 anos nos correios sempre trabalhou com o seu marido na pesca.

Jorgina refere que existem algumas políticas que deviam ser alteradas, nomeadamente as que não são vantajosas e úteis para o sector piscatório, como a construção de novos barcos sem se abaterem os antigos, questão que faz com que deixe de haver mais peixe e até mesmo pescadores para irem para o mar.

Jorgina mencionou que para se ultrapassar estes problemas devia-se, por exemplo, compensar os armadores e pescadores mais antigos com melhores reformas de modo a que estes pudessem dar lugar a armadores e pescadores mais novos.

Texto e foto: Joana Medeiros

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Audição Pública no Parlamento Europeu, 1 de Dezembro 2010, Bruxelas


No passado dia 1 de Dezembro decorreu uma Audição Pública no Parlamento Europeu em Bruxelas, sobre "As mulheres e o desenvolvimento sustentável das zonas piscatórias". Estiveram presentes 3 representantes dos Açores: Beatriz Madruga, Faial, Ilhas em Rede; Laurinda Sousa, Projecto Caminhos – UMAR-Açores e Clarisse Canha UMAR-Açores/ Ilhas em Rede. Esteve também Anabela Valente e Cristina Moço da Mútua dos Pescadores, completando o grupo de portuguesas presentes.
A audição teve início pelas 15h. A sessão de abertura contou com as intervenções de Carmen FRAGA ESTÉVEZ, presidente da Comissão das Pescas, Josefa ANDRÉS BAREA, membro da Comissão das Pescas e responsável pela Igualdade de Oportunidades e Maria DAMANAKI, Comissária Europeia dos Assuntos Marítimos e das Pescas.
De seguida foi dada a palavra às associações de mulheres no sector da pesca, nomeadamente, a AKTEA, AGAMAR (Asociação Gallega de Mariscadoras-Espanha), a UMAR-Açores/Ilhas em Rede, a "North Sea Women Network" (rede transnacional), a "Associação Penelope-donne na pesca de Ancona" (Italia), a Federação de Mulheres do Meio Marítimo (França), a "Killybegs Fishermen's Organisation" (Irlanda), a FARNET ("Rede de zonas de pesca na Europa", DG MARE) e a "Red Española de Mujeres en el sector Pesquero" (rede espanhola de mulheres no sector da pesca).

Intervenção: Participação e Intercâmbio de saberes e experiências na Europa.
É preciso reforçar!

Esta intervenção foi apresentada pela Clarisse Canha e teve como objectivo falar sobre a pesca artesanal como importante sector com peso económico e social: na Europa, Portugal e Regiões Insulares; a diversidade de papéis das mulheres na pesca artesanal, com trabalho visível e trabalho não visível; o percurso feminino: da invisibilidade à afirmação reconhecimento e valorização actual; e a importância de reforçar a "Participação e Intercâmbio de saberes e experiências na Europa."
Procurou-se destacar o percurso da "valorização das mulheres na pesca, a nível local, regional, europeu e mesmo a nível mundial" e evidenciou-se as "acções desenvolvidas por associações e redes de mulheres, na Europa, incluindo países e regiões insulares como os Açores." Destaca-se o papel da AKTEA integrando diferentes associações e delegações em países como Portugal. No caso dos Açores destacou-se o papel das associações de âmbito local regional: a AMPA, na ilha Terceira, a Ilhas em Rede Associação de Mulheres na Pesca nos Açores e a UMAR-Açores.
Apresentaram-se também, algumas propostas e desafios actuais, tais como: "Promover a presença/ participação nas organizações e associações de pescadores; Garantir espaço e o apoio necessário para a participação das mulheres nos processos de tomada de decisão; Fomentar o intercâmbio e a formação das mulheres investindo na sua auto-valorização e consciencialização do seu papel e da sua importância e da necessidade de se conhecer a situação real do trabalho das mulheres em cada país.
Depois destas apresentações seguiu-se um momento de perguntas e respostas, onde se falou sobre a participação das associações de mulheres da pesca na discussão do Livro Verde sobre a Política Comum de Pescas, evidenciando o facto de o documento base do Livro Verde não referir uma única vez as mulheres e a igualdade de oportunidades entre mulheres e homens.

PROMOVER A IGUALADADE DE OPORTUNIDADES

NOS PROGRAMAS DO FEP

O PAPEL DAS AUTORIDADES DE GESTÃO OU INTERMEDIÁRIAS

NOS GRUPOS DE ACÇÃO LOCAL

Após todas as apresentações, passou-se às Conclusões e Encerramento:
Conclusões por Josefa ANDRÉS BAREA, Membro da Comissão de Pescas
Encerramento por Carmen FRAGA ESTÉVEZ, Presidente da Comissão das Pescas

Em relação às conclusões, estas apontaram no sentido de:

- Melhorar as estatísticas para se conseguir obter uma “visão real” do trabalho das mulheres na pesca;
- Maior sensibilização para a informção e formação de programas alternativos;
- Prioridade à integração do género nos órgãos de decisão;
- Facilitar o acesso ao FEP (Fundo Europeu das Pescas);
- Futura reforma da PCP deverá reflectir melhor a pesca artesanal e costeira e a integração da mulher.

Texto de: Clarisse Canha

Foto: Laurinda Sousa

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Ribeira Quente acolhe "Histórias de Mulheres na Pesca"


Nos dias 26, 27 e 28 de Novembro, duas dezenas de mulheres da pesca dos Açores, juntaram-se na Ribeira Quente para integrar uma oficina de Teatro d@ Oprimid@ (TO) e participar num debate sobre desenvolvimento das zonas costeiras.
Durante 3 dias, mulheres de diferentes portos da ilha de São Miguel, tais como Ribeira Quente, Rabo de Peixe, Água de Pau, Porto Formoso, assim como mulheres das ilhas Flores, Pico e Terceira, conviveram e partilharam entre si experiências e opressões, sentimentos e histórias de vida, num trabalho de reforço da sua afirmação pessoal e colectiva potenciado pelas dinâmicas do Teatro d@ Oprimid@*.
O resultado deste trabalho foi apresentado em Teatro Fórum na tarde de dia 28, no Centro Social e Paroquial da Ribeira Quente, tendo-se registado uma boa afluência de público que participou activamente no fórum após a encenação das 3 histórias criadas durante a oficina.
Promovido pela UMAR-Açores, no âmbito do projecto “Caminhos em Terra e no Mar”, patrocinado pela Subsecretaria Regional das Pescas, e co-organizado com a Ilhas em Rede, Associação de Mulheres na Pesca dos Açores, esta iniciativa contou com as parcerias da Cooperativa de Pescadores da Ribeira Quente, Centro Social e Paroquial da frequesia e Descalças Cooperativa Cultural.
O debate sobre o Desenvolvimento das Comunidades Costeiras, que teve lugar na tarde de dia 27, contou com a presença dos representantes de associações da pesca, Gualberto Rita e Liberato Fernandes, bem como com o Pe. Silvino Amaral, presi- dente do Centro Paroquial da Ribeira Quente. A anteceder o debate foi feita a apresentação do projecto “Caminhos em Terra e no Mar” tendo-se abordado ainda os seus antecedentes. Também as associações Ilhas em Rede e AMPA deram-se a conhecer aos presentes falando dos objectivos e do trabalho que tem vindo a desenvolver.

* O Teatro d@ Oprimid@ é encarado enquanto forma de conhecimento, enquanto instrumento de transformação da sociedade: todos os seres humanos são actores, porque agem, e espectadores, porque observam. Como explica Augusto Boal, o teatro deve trazer felicidade, deve ajudar-nos a conhecermos melhor a nós mesmo e ao nosso tempo. (...)Pode nos ajudar a construir o futuro, em vez de mansamente esperarmos por ele. O objectivo imediato é o ensaio crítico, o empoderamento, a quebra de isolamento, mas o objectivo mais vasto é o ensaio de acção colectiva.

Texto e foto: Laurinda Sousa

Mais informação em http://pt.wikipedia.org/wiki/Teatro_do_oprimido

Nota: ver mais fotos no blogue da Ilhas em Rede http://ilhasemrede.wordpress.com/

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Fortalecer o associativismo e a formação das mulheres na pesca


Cerca de 300 mulheres, num total de 400 participantes, marcaram presença no 1º Congresso da Rede Espanhola de Mulheres no Sector Pesqueiro que decorreu em San Sebastian, Pais Basco, nos dias 7 e 8 de Outubro, evento em que participou também a UMAR-Açores.
O Congresso contou maioritariamente com a presença de mulheres espanholas, oriundas das diferentes regiões autónomas, e teve como objectivo principal promover o intercâmbio e o conhecimento mútuo entre as várias organizações de mulheres do sector, assim como dar a conhecer os diferentes órgãos institucionais de Espanha relacionados com a temática das mulheres na pesca.
No que respeita a conclusões, e relativamente ao primeiro painel em que se abordou a inclusão da mulher no sector pesqueiro e o reconhecimento desta como parte integrante do sector, conclui-se pela necessidade de conhecer a situação real do trabalho feminino, de forma a que o seu papel se torne “transparente”. O fortalecimento do associativismo e da formação para as mulheres no sector pesqueiro foi uma principais conclusões deste painel que defendeu ainda a necessidade de a adopção de estratégias comuns por parte de todas as entidades.
Sobre a situação actual e propostas para abordar a melhoria das condições laborais, concluiu-se que a falta de escolaridade/instrução é um dos principais problemas que afectam as mulheres . A profissionalização do trabalho foi apontado como necessária para combater essa situação. Foi referenciada também a necessidade das trabalhadoras independentes terem acesso a uma pensão/subsidio por desemprego, incluindo nos períodos de paragem biológica das espécies. Outra questão abordada referiu-se à necessidade de haver reconhecimento oficial das doenças profissionais que as afectam.
A diversificação económica no sector pesqueiro foi outro dos painéis que integraram o Congresso. Aqui falou-se sobre a importância de se procurar saídas complementares à actividade principal e apontou-se os Grupos de Acção Costeira (no âmbito do Eixo 4) como instrumentos importantes para a implementação dessa mesma diversificação.
Finalmente, o último painel, sobre cooperação e intercâmbios, reforçou a ideia da importância do associativismo para a defesa dos interesses colectivos e para o reconhecimento profissional e a melhoria das condições laborais através da união de esforços. Para além disso o associativismo foi apontado também como ferramenta essencial para a cooperação e o intercâmbio de experiências.
Este 1º Congresso da Rede Espanhola de Mulheres no Sector da Pesca permitiu dar a conhecer a realidade do múltiplo papel desempenhado pela mulher, nas várias regiões autónomas, cujo trabalho passa pela pesca, pelo marisqueiro, pela aquicultura, pelo processamento e comercialização de pescado, pela reparação e confecção de redes, pela descarga de pescado, assim como pela administração e gestão das empresas pesqueiras.
Organizado pelo Ministério do Meio Ambiente e Meio Rural e Marinho, através da Secretaria Geral do Mar (entidades que criaram e gerem a Rede Espanhola de Mulheres na Pesca), o Congresso contou com a participação da AKTEA – Rede Europeia das Mulheres na Pesca (da qual faz parte a UMAR-Açores) e da Rede Latino-americana das Mulheres no Sector Pesqueiro.

Laurinda Sousa