quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Entrevista a Maria Jorgina Raposo


Jorgina Raposo é uma mulher da pesca natural da Vila de Nordeste, tem dois filhos, uma rapariga e um rapaz, fruto do seu casamento com Ernesto Raposo.

A sua vida na pesca teve sempre muitos altos e baixos, algum tempo depois de casar comprou um barco com o seu marido onde trabalhavam com artes de cerco. Infelizmente com as cheias o mar levou-lhes tudo o que tinham construído, depois compraram um novo barco e devido a algumas alterações na lei passaram a trabalhar com artes de rede de emalhar.

Para que nada faltasse aos seus filhos e para que pudessem ter uma vida adequada, sempre com muito trabalho e sacrifício, quando a vida permitiu compraram uma carrinha e foi a partir daí que as coisas se complicaram um pouco mais. Jorgina referiu que quando saia para vender peixe era muito discriminada, não tanto pelos homens, pois estes limitavam-se a olhar-lhe de lado, mas pelas mulheres que eram muito severas, chamando-lhe nomes e criticando-a pelo trabalho que desempenhava. Para além da venda do peixe Jorgina também trabalhava na administração do barco, consequentemente nas compras e pagamentos dos pescadores.

Devido a todas as dificuldades e adversidades inerentes à vida na pesca Jorgina, hoje em dia, não recomenda esta profissão. Contudo refere que não mudaria de profissão, até porque, enquanto trabalhou 18 anos nos correios sempre trabalhou com o seu marido na pesca.

Jorgina refere que existem algumas políticas que deviam ser alteradas, nomeadamente as que não são vantajosas e úteis para o sector piscatório, como a construção de novos barcos sem se abaterem os antigos, questão que faz com que deixe de haver mais peixe e até mesmo pescadores para irem para o mar.

Jorgina mencionou que para se ultrapassar estes problemas devia-se, por exemplo, compensar os armadores e pescadores mais antigos com melhores reformas de modo a que estes pudessem dar lugar a armadores e pescadores mais novos.

Texto e foto: Joana Medeiros

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Audição Pública no Parlamento Europeu, 1 de Dezembro 2010, Bruxelas


No passado dia 1 de Dezembro decorreu uma Audição Pública no Parlamento Europeu em Bruxelas, sobre "As mulheres e o desenvolvimento sustentável das zonas piscatórias". Estiveram presentes 3 representantes dos Açores: Beatriz Madruga, Faial, Ilhas em Rede; Laurinda Sousa, Projecto Caminhos – UMAR-Açores e Clarisse Canha UMAR-Açores/ Ilhas em Rede. Esteve também Anabela Valente e Cristina Moço da Mútua dos Pescadores, completando o grupo de portuguesas presentes.
A audição teve início pelas 15h. A sessão de abertura contou com as intervenções de Carmen FRAGA ESTÉVEZ, presidente da Comissão das Pescas, Josefa ANDRÉS BAREA, membro da Comissão das Pescas e responsável pela Igualdade de Oportunidades e Maria DAMANAKI, Comissária Europeia dos Assuntos Marítimos e das Pescas.
De seguida foi dada a palavra às associações de mulheres no sector da pesca, nomeadamente, a AKTEA, AGAMAR (Asociação Gallega de Mariscadoras-Espanha), a UMAR-Açores/Ilhas em Rede, a "North Sea Women Network" (rede transnacional), a "Associação Penelope-donne na pesca de Ancona" (Italia), a Federação de Mulheres do Meio Marítimo (França), a "Killybegs Fishermen's Organisation" (Irlanda), a FARNET ("Rede de zonas de pesca na Europa", DG MARE) e a "Red Española de Mujeres en el sector Pesquero" (rede espanhola de mulheres no sector da pesca).

Intervenção: Participação e Intercâmbio de saberes e experiências na Europa.
É preciso reforçar!

Esta intervenção foi apresentada pela Clarisse Canha e teve como objectivo falar sobre a pesca artesanal como importante sector com peso económico e social: na Europa, Portugal e Regiões Insulares; a diversidade de papéis das mulheres na pesca artesanal, com trabalho visível e trabalho não visível; o percurso feminino: da invisibilidade à afirmação reconhecimento e valorização actual; e a importância de reforçar a "Participação e Intercâmbio de saberes e experiências na Europa."
Procurou-se destacar o percurso da "valorização das mulheres na pesca, a nível local, regional, europeu e mesmo a nível mundial" e evidenciou-se as "acções desenvolvidas por associações e redes de mulheres, na Europa, incluindo países e regiões insulares como os Açores." Destaca-se o papel da AKTEA integrando diferentes associações e delegações em países como Portugal. No caso dos Açores destacou-se o papel das associações de âmbito local regional: a AMPA, na ilha Terceira, a Ilhas em Rede Associação de Mulheres na Pesca nos Açores e a UMAR-Açores.
Apresentaram-se também, algumas propostas e desafios actuais, tais como: "Promover a presença/ participação nas organizações e associações de pescadores; Garantir espaço e o apoio necessário para a participação das mulheres nos processos de tomada de decisão; Fomentar o intercâmbio e a formação das mulheres investindo na sua auto-valorização e consciencialização do seu papel e da sua importância e da necessidade de se conhecer a situação real do trabalho das mulheres em cada país.
Depois destas apresentações seguiu-se um momento de perguntas e respostas, onde se falou sobre a participação das associações de mulheres da pesca na discussão do Livro Verde sobre a Política Comum de Pescas, evidenciando o facto de o documento base do Livro Verde não referir uma única vez as mulheres e a igualdade de oportunidades entre mulheres e homens.

PROMOVER A IGUALADADE DE OPORTUNIDADES

NOS PROGRAMAS DO FEP

O PAPEL DAS AUTORIDADES DE GESTÃO OU INTERMEDIÁRIAS

NOS GRUPOS DE ACÇÃO LOCAL

Após todas as apresentações, passou-se às Conclusões e Encerramento:
Conclusões por Josefa ANDRÉS BAREA, Membro da Comissão de Pescas
Encerramento por Carmen FRAGA ESTÉVEZ, Presidente da Comissão das Pescas

Em relação às conclusões, estas apontaram no sentido de:

- Melhorar as estatísticas para se conseguir obter uma “visão real” do trabalho das mulheres na pesca;
- Maior sensibilização para a informção e formação de programas alternativos;
- Prioridade à integração do género nos órgãos de decisão;
- Facilitar o acesso ao FEP (Fundo Europeu das Pescas);
- Futura reforma da PCP deverá reflectir melhor a pesca artesanal e costeira e a integração da mulher.

Texto de: Clarisse Canha

Foto: Laurinda Sousa

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Ribeira Quente acolhe "Histórias de Mulheres na Pesca"


Nos dias 26, 27 e 28 de Novembro, duas dezenas de mulheres da pesca dos Açores, juntaram-se na Ribeira Quente para integrar uma oficina de Teatro d@ Oprimid@ (TO) e participar num debate sobre desenvolvimento das zonas costeiras.
Durante 3 dias, mulheres de diferentes portos da ilha de São Miguel, tais como Ribeira Quente, Rabo de Peixe, Água de Pau, Porto Formoso, assim como mulheres das ilhas Flores, Pico e Terceira, conviveram e partilharam entre si experiências e opressões, sentimentos e histórias de vida, num trabalho de reforço da sua afirmação pessoal e colectiva potenciado pelas dinâmicas do Teatro d@ Oprimid@*.
O resultado deste trabalho foi apresentado em Teatro Fórum na tarde de dia 28, no Centro Social e Paroquial da Ribeira Quente, tendo-se registado uma boa afluência de público que participou activamente no fórum após a encenação das 3 histórias criadas durante a oficina.
Promovido pela UMAR-Açores, no âmbito do projecto “Caminhos em Terra e no Mar”, patrocinado pela Subsecretaria Regional das Pescas, e co-organizado com a Ilhas em Rede, Associação de Mulheres na Pesca dos Açores, esta iniciativa contou com as parcerias da Cooperativa de Pescadores da Ribeira Quente, Centro Social e Paroquial da frequesia e Descalças Cooperativa Cultural.
O debate sobre o Desenvolvimento das Comunidades Costeiras, que teve lugar na tarde de dia 27, contou com a presença dos representantes de associações da pesca, Gualberto Rita e Liberato Fernandes, bem como com o Pe. Silvino Amaral, presi- dente do Centro Paroquial da Ribeira Quente. A anteceder o debate foi feita a apresentação do projecto “Caminhos em Terra e no Mar” tendo-se abordado ainda os seus antecedentes. Também as associações Ilhas em Rede e AMPA deram-se a conhecer aos presentes falando dos objectivos e do trabalho que tem vindo a desenvolver.

* O Teatro d@ Oprimid@ é encarado enquanto forma de conhecimento, enquanto instrumento de transformação da sociedade: todos os seres humanos são actores, porque agem, e espectadores, porque observam. Como explica Augusto Boal, o teatro deve trazer felicidade, deve ajudar-nos a conhecermos melhor a nós mesmo e ao nosso tempo. (...)Pode nos ajudar a construir o futuro, em vez de mansamente esperarmos por ele. O objectivo imediato é o ensaio crítico, o empoderamento, a quebra de isolamento, mas o objectivo mais vasto é o ensaio de acção colectiva.

Texto e foto: Laurinda Sousa

Mais informação em http://pt.wikipedia.org/wiki/Teatro_do_oprimido

Nota: ver mais fotos no blogue da Ilhas em Rede http://ilhasemrede.wordpress.com/

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Fortalecer o associativismo e a formação das mulheres na pesca


Cerca de 300 mulheres, num total de 400 participantes, marcaram presença no 1º Congresso da Rede Espanhola de Mulheres no Sector Pesqueiro que decorreu em San Sebastian, Pais Basco, nos dias 7 e 8 de Outubro, evento em que participou também a UMAR-Açores.
O Congresso contou maioritariamente com a presença de mulheres espanholas, oriundas das diferentes regiões autónomas, e teve como objectivo principal promover o intercâmbio e o conhecimento mútuo entre as várias organizações de mulheres do sector, assim como dar a conhecer os diferentes órgãos institucionais de Espanha relacionados com a temática das mulheres na pesca.
No que respeita a conclusões, e relativamente ao primeiro painel em que se abordou a inclusão da mulher no sector pesqueiro e o reconhecimento desta como parte integrante do sector, conclui-se pela necessidade de conhecer a situação real do trabalho feminino, de forma a que o seu papel se torne “transparente”. O fortalecimento do associativismo e da formação para as mulheres no sector pesqueiro foi uma principais conclusões deste painel que defendeu ainda a necessidade de a adopção de estratégias comuns por parte de todas as entidades.
Sobre a situação actual e propostas para abordar a melhoria das condições laborais, concluiu-se que a falta de escolaridade/instrução é um dos principais problemas que afectam as mulheres . A profissionalização do trabalho foi apontado como necessária para combater essa situação. Foi referenciada também a necessidade das trabalhadoras independentes terem acesso a uma pensão/subsidio por desemprego, incluindo nos períodos de paragem biológica das espécies. Outra questão abordada referiu-se à necessidade de haver reconhecimento oficial das doenças profissionais que as afectam.
A diversificação económica no sector pesqueiro foi outro dos painéis que integraram o Congresso. Aqui falou-se sobre a importância de se procurar saídas complementares à actividade principal e apontou-se os Grupos de Acção Costeira (no âmbito do Eixo 4) como instrumentos importantes para a implementação dessa mesma diversificação.
Finalmente, o último painel, sobre cooperação e intercâmbios, reforçou a ideia da importância do associativismo para a defesa dos interesses colectivos e para o reconhecimento profissional e a melhoria das condições laborais através da união de esforços. Para além disso o associativismo foi apontado também como ferramenta essencial para a cooperação e o intercâmbio de experiências.
Este 1º Congresso da Rede Espanhola de Mulheres no Sector da Pesca permitiu dar a conhecer a realidade do múltiplo papel desempenhado pela mulher, nas várias regiões autónomas, cujo trabalho passa pela pesca, pelo marisqueiro, pela aquicultura, pelo processamento e comercialização de pescado, pela reparação e confecção de redes, pela descarga de pescado, assim como pela administração e gestão das empresas pesqueiras.
Organizado pelo Ministério do Meio Ambiente e Meio Rural e Marinho, através da Secretaria Geral do Mar (entidades que criaram e gerem a Rede Espanhola de Mulheres na Pesca), o Congresso contou com a participação da AKTEA – Rede Europeia das Mulheres na Pesca (da qual faz parte a UMAR-Açores) e da Rede Latino-americana das Mulheres no Sector Pesqueiro.

Laurinda Sousa

Mulheres da pesca reflectem sobre o seu percurso num workshop promovido pela UMAR-Açores


“Cultura Piscatória” e “As mulheres na pesca nos últimos anos” foram os temas de trabalho propostos para debate de ideias e reflexão de grupo no âmbito do workshop promovido pela UMAR- Açores no passado dia 25 de Setembro, na ilha Terceira, iniciativa integrada no Projecto “Caminhos em Terra e no Mar”.
Divididas em grupos de trabalho, as cerca de duas dezenas de mulheres presentes (que já haviam participado no III Congresso de Pescas nos dias anteriores), intervieram activamente e com entusiasmo nas actividades propostas para o workshop. Relativamente ao tema “Cultura Piscatória”, e após algum debate no seio dos grupos, chegou-se à conclusão que este é um conceito muito abrangente e que inclui entre outras “a comunidade, as pessoas, a religião, a actividade da pesca, as artes da pesca, a frota, a família, as vivências, a gastronomia e as tradições”. Um dos grupos chegou mesmo a avançar com uma definição: “ A cultura pesqueira tem como pilar a família... partilha a religião, as vivências, as tradições, sendo um modo de vida que requer muita coragem”.
O segundo tema “As mulheres na pesca nos últimos anos” permitiu uma reflexão e avaliação das participações das mulheres nos eventos e estruturas da pesca em geral, a nível regional, nacional e internacional, assim como as actividades desenvolvidas, incluindo formações, pelas organizações das mulheres na pesca nos Açores.
Em relação ao primeiro ponto, as participantes fizeram um balanço positivo das presenças nos eventos em que tomaram parte fora da região, uma vez que estes lhes tem permitido “enriquecer conhecimentos sobre direitos e deveres” e em simultâneo proporcionar “intercâmbios e troca de experiências” possibilitando comparações algumas vezes “pela positiva”.
No que concerne aos encontros de âmbito regional, consideraram estes muito importantes por permitirem apurar das realidades diferentes de cada uma das ilhas ao mesmo tempo que promovem o reforço da união entre elas “e a força e a vontade de irem cada vez mais longe”.
A importância das formações foi focada por diversas vezes durante o workshop, incluindo o efeito benéfico que as mesmas produzem em relação ao seu auto-conhecimento e auto-estima, considerando as mulheres que estas são mesmo fundamentais para que possam ter “mais coragem para intervir” em eventos como congressos, onde a presença masculina é maioritária.
Em jeito de balanço final as mulheres da pesca referiram ir para casa “mais enriquecidas e energéticas” após a participação no workshop que consideraram muito benéfico.

Laurinda Sousa

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Mulheres presentes no III Congresso das Pescas dos Açores


Nos dias 22 e 23 de Setembro decorreu, na Terceira, o III Congresso das Pescas dos Açores, no qual as mulheres participaram e marcaram presença. No dia 25, também na Terceira realizou-se um workshop desenvolvendo reflexão sobre as mulheres e a pesca artesanal.

No 1º dia do III Congresso das Pescas dos Açores promovido pela Federação das Pescas dos Açores, decorreu um painel sobre o tema “As Mulheres na Pesca Artesanal e o seu Contributo para o Sector” organizado pela UMAR-Açores no âmbito do Projecto Caminhos – As Mulheres na Pesca nos Açores .

Neste painel temático do III Congresso das Pescas houve cinco intervenções representando diferentes associações: “A realidade das mulheres como profissionais na pesca” foi um tema apresentado por Fátima Garcia. A presidente da Ilhas em Rede – Associação de Mulheres na Pesca nos Açores falou com grande emoção sobre a realidade das mulheres como profissionais a cujas funções, acrescentam normalmente as tarefas da gestão da casa.
“O envolvimento das mulheres na comunidade piscatória” foi o tema que Glória Brasil, presidente da AMPA, apresentou falando em particular de São Mateus, finalizando a sua intervenção com a leitura do “nosso livro”, isto é, lendo um excerto do livro “Estamos cá. Existimos. As Mulheres na Pesca nos Açores”.
“Diversidades de Vozes das Ilhas. EDUMAR: Perspectivas sobre o Mar dos Açores & Terra Nova” foi o trabalho apresentado por Allison Neilson – Universidade dos Açores.
“Pesca Responsável – Porto Responsável” é o título de um projecto da Gê Questa, projecto este que foi apresentado no painel, por Orlando Guerreiro presidente da Gê Questa.
Finalmente, o painel “As Mulheres na Pesca Artesanal e o seu contributo para o sector”, contou com a apresentação de Laurinda Sousa, técnica da UMAR-Açores desenvolvendo o tema “Fundo Europeu das Pescas e a perspectiva de género.”
Destaca-se uma comunicação da Consejera da Agricultura e Pescas de Canárias, Pilar Merino apresentado no Congresso, através de um vídeo especialmente elaborado para este painel. Neste vídeo, podem-se ver imagens de pesca nas Canárias e o testemunho de uma mulher pescadora, demonstrativo de que também nas Canárias as mulheres estão presentes na pesca artesanal.
Podemos afirmar que por ocasião do III Congresso das Pescas, decorrido a 23 e 24 de Setembro na ilha Terceira, as mulheres da pesca marcaram presença em diferentes patamares. As mulheres estiveram presentes no Congresso acompanhando todos os trabalhos e marcaram presença com um Painel Temático específico de grande diversidade, traduzindo a riqueza e diversidade dos papéis por elas desenvolvidos na pesca artesanal, constituindo uma mais-valia incontornável no desenvolvimento sustentável do sector.

O painel “As Mulheres na Pesca Artesanal e o seu contributo para o sector” contou com a presença da Eurodeputada Maria do Céu Patrão Neves, que contribuiu com várias intervenções e fez parte da Mesa Encerramento do Painel, assim como António Laureno, em representação da Federação das Pescas dos Açores e Clarisse Canha, Presidente da UMAR-Açores.

Clarisse Canha

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

"A luta pela pesca sustentável protagonizada no feminino"

"No decorrer do projecto, com a duração de dois anos e meio, estão previstas, entre outras, actividades como a promoção e a participação em encontros regionais e transnacionais, várias acções de formação, actividades de investigação e promoção do empreendedorismo feminino, para além da recolha e compilação de receitas de peixe em todas as ilhas, bem como o lançamento de um novo portal na internet, em fase de construção.
Para Setembro, a confirmar, está a ser preparado um encontro-debate sobre o papel das mulheres na pesca artesanal e qual o seu futuro. 'Pensamos ter contributos por parte das mulheres das diferentes ilhas nesta reflexão, e contamos também ter colaborações a nível europeu (e não só da rede europeia de mulheres da pesca AKTEA). A grande pesca industrial a continuar, vai provavelmente prejudicar a sustentabilidade ao contrário da pesca artesanal', faz notar.
No que respeita a acções de formação, Clarisse Canha revela que uma delas vai ter lugar na Ribeira Quente, em São Miguel, talvez em Novembro, por 'se tratar de uma comunidade piscatória com muito "peso". Temos vindo a desenvolver muito trabalho em Rabo de Peixe, com resultados, e parece-nos que está na hora de articular com outras comunidades piscatórias'. A Ilhas em Rede e a Cooperativa de Economia Solidária da Ribeira Quente vão ser entidades parceiras.
Caminhos em Terra e no Mar será a terceira etapa do movimento de valorização das mulheres na pesca nos Açores, sucedendo aos projectos Mudança de Maré e As Mulheres na Pesca nos Açores. Um dos resultados desse trabalho, foi a publicação dos livros "Inclusão, Percursos para a Igualdade" (2006) e "Estamos cá. Existimos" (2008). No final deste novo projecto, outro livro será lançado, que compilará as receitas.

Jornalista: Olímpia Granada
Fonte: Jornal Açoriano Oriental 9 de Agosto de 2010

"Pescadoras lançam rede nas ilhas e iscos em terra"

"É pela mão da UMAR-Açores (Associação para a Igualdade e Direitos das Mulheres) que se lança mais um projecto direccionado para as pescadoras açorianas. Isto no seguimento do trabalho que a organização tem vindo a desenvolver na promoção da igualdade e equidade de género nas pescas.
Este ano inicia-se 'uma recolha das receitas [gastronómicas] de peixe, nomeadamente de chicharro, receitas feitas por mulheres da pesca mas não só e à volta desta recolha também estamos a fazer uma certa sondagem de género', revela Clarisse Canha. Como? 'Procuramos perceber quem é que habitualmente cozinha essas receitas, quem é que se entusiasma com essas receitas, em que medidas as mulheres são portadoras de informação de receitas e hábitos gastronómicos de outras gerações', explica esta dirigente da UMAR-Açores.
No entanto, desta feita, o Caminhos em Terra e no Mar, pretende também lançar outros "iscos", fora dos portos e das lotas. Por isso, em parceria com várias entidades e com o apoio financeiro da Subsecretaria Regional das Pescas, querem-se "pescar" os mais novos, para saberes e sabores do mar.
'Nos últimos tempos tem havido uma tendência para não se comer tanto peixe, sobretudo chicharro, e abandonaram-se alguns hábitos de boa alimentação. Porque é que isso aconteceu e em que medida é necessário apostar aí, também, em mudanças? Não só nas casas, junto das famílias, nos próprios restaurantes mas também nas escolas,' diz Clarisse Canha.
Como o trabalho desenvolvido pela UMAR tem sido potenciado através de intercâmbios com outras organizações e entidades da Macaronésia (Região que engloba os arquipélagos dos Açores, Madeira, Cabo Verde e Canárias), este projecto vai aproveitar a experiência que foi feita ao nível escolar nas ilhas espanholas. Reconhecendo que já há uma preocupação com a alimentação nas escolas açorianas, ainda assim a UMAR no âmbito deste projecto vai 'convidar nutricionistas, precisamente para contribuírem com o seu saber para sensibilizar para a importância do peixe na alimentação.' São ainda objectivos do projecto prosseguir a intervenção no sentido de promover a igualdade entre mulheres e homens no sector piscatório, apoiar iniciativas e promover actividades específicas que proporcionem uma maior inclusão e participação das mulheres no sector, bem como observar a evolução da situação da mulher no sector e na comunidade.

Entrevista feita a Clarisse Canha
Jornalista: Olímpia Granada
Fonte: Jornal Açoriano Oriental 9 de Agosto de 2010

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Missão científica no "Condor"


A partir de hoje e até ao dia 15 de Agosto irá decorrer uma missão científica, com um navio de investigação Norueguês (INRB), no âmbito do projecto CONDOR, banco localizado a sudeste da ilha do Faial.
Este cruzeiro tem como principal objectivo estudar a extensão das colónias de corais frios que povoam os ambientes e a sua eventual interacção com as pescas de profundidade, uma vez que, estes corais frios são consideradas espécies prioritárias em termos de conservação.
Neste sentido, está prevista a recolha de sedimentos que “permitirão estudar a fauna que vive no fundo, incluindo microrganismos, analisar a composição química do sedimento, e também perceber melhor o funcionamento da cadeia trófica neste ecossistema.
Alguns cientistas e jovens investigadores que fazem parte da tripulação são do Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores, que é actualmente uma das instituições que a nível mundial lidera os estudos do mar profundo, nomeadamente, dos ecossistemas hidrotermais e dos montes submarinos.

Joana Medeiros
Fonte: Jornal Açoriano Ocidental e Correio dos Açores, ambos de 05 de Agosto de 2010.

Celebração do 2º aniversário da Ilhas em Rede em S. Miguel

Enquadrado na Celebração do 2º aniversário da Associação, o núcleo da Ilhas em Rede de S. Miguel realizou um convívio para as associadas e mulheres da pesca no passado dia 29 de Julho. Esta iniciativa visou, para além do convívio a troca de opiniões, acerca da celebração realizada nos dias 22, 23 e 24 em São Mateus.

Foi uma tarde muito bem passada, onde não faltaram petiscos e boa disposição. No fundo o que todas anseiam e esperam é que a Ilhas em Rede continue a crescer em reconhecimento e valorização.

Parabéns à Ilhas em Rede, que se comemorem mais aniversários.



Acedendo ao blogue da Ilhas em Rede pode visualizar outras fotografias: http://ilhasemrede.wordpress.com

Joana Medeiros