"É pela mão da UMAR-Açores (Associação para a Igualdade e Direitos das Mulheres) que se lança mais um projecto direccionado para as pescadoras açorianas. Isto no seguimento do trabalho que a organização tem vindo a desenvolver na promoção da igualdade e equidade de género nas pescas.
Este ano inicia-se 'uma recolha das receitas [gastronómicas] de peixe, nomeadamente de chicharro, receitas feitas por mulheres da pesca mas não só e à volta desta recolha também estamos a fazer uma certa sondagem de género', revela Clarisse Canha. Como? 'Procuramos perceber quem é que habitualmente cozinha essas receitas, quem é que se entusiasma com essas receitas, em que medidas as mulheres são portadoras de informação de receitas e hábitos gastronómicos de outras gerações', explica esta dirigente da UMAR-Açores.
No entanto, desta feita, o Caminhos em Terra e no Mar, pretende também lançar outros "iscos", fora dos portos e das lotas. Por isso, em parceria com várias entidades e com o apoio financeiro da Subsecretaria Regional das Pescas, querem-se "pescar" os mais novos, para saberes e sabores do mar.
'Nos últimos tempos tem havido uma tendência para não se comer tanto peixe, sobretudo chicharro, e abandonaram-se alguns hábitos de boa alimentação. Porque é que isso aconteceu e em que medida é necessário apostar aí, também, em mudanças? Não só nas casas, junto das famílias, nos próprios restaurantes mas também nas escolas,' diz Clarisse Canha.
Como o trabalho desenvolvido pela UMAR tem sido potenciado através de intercâmbios com outras organizações e entidades da Macaronésia (Região que engloba os arquipélagos dos Açores, Madeira, Cabo Verde e Canárias), este projecto vai aproveitar a experiência que foi feita ao nível escolar nas ilhas espanholas. Reconhecendo que já há uma preocupação com a alimentação nas escolas açorianas, ainda assim a UMAR no âmbito deste projecto vai 'convidar nutricionistas, precisamente para contribuírem com o seu saber para sensibilizar para a importância do peixe na alimentação.' São ainda objectivos do projecto prosseguir a intervenção no sentido de promover a igualdade entre mulheres e homens no sector piscatório, apoiar iniciativas e promover actividades específicas que proporcionem uma maior inclusão e participação das mulheres no sector, bem como observar a evolução da situação da mulher no sector e na comunidade.
Entrevista feita a Clarisse Canha
Jornalista: Olímpia Granada
Fonte: Jornal Açoriano Oriental 9 de Agosto de 2010
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Missão científica no "Condor"

A partir de hoje e até ao dia 15 de Agosto irá decorrer uma missão científica, com um navio de investigação Norueguês (INRB), no âmbito do projecto CONDOR, banco localizado a sudeste da ilha do Faial.
Este cruzeiro tem como principal objectivo estudar a extensão das colónias de corais frios que povoam os ambientes e a sua eventual interacção com as pescas de profundidade, uma vez que, estes corais frios são consideradas espécies prioritárias em termos de conservação.
Neste sentido, está prevista a recolha de sedimentos que “permitirão estudar a fauna que vive no fundo, incluindo microrganismos, analisar a composição química do sedimento, e também perceber melhor o funcionamento da cadeia trófica neste ecossistema.
Alguns cientistas e jovens investigadores que fazem parte da tripulação são do Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores, que é actualmente uma das instituições que a nível mundial lidera os estudos do mar profundo, nomeadamente, dos ecossistemas hidrotermais e dos montes submarinos.
Joana Medeiros
Fonte: Jornal Açoriano Ocidental e Correio dos Açores, ambos de 05 de Agosto de 2010.
Celebração do 2º aniversário da Ilhas em Rede em S. Miguel
Enquadrado na Celebração do 2º aniversário da Associação, o núcleo da Ilhas em Rede de S. Miguel realizou um convívio para as associadas e mulheres da pesca no passado dia 29 de Julho. Esta iniciativa visou, para além do convívio a troca de opiniões, acerca da celebração realizada nos dias 22, 23 e 24 em São Mateus.
Foi uma tarde muito bem passada, onde não faltaram petiscos e boa disposição. No fundo o que todas anseiam e esperam é que a Ilhas em Rede continue a crescer em reconhecimento e valorização.
Parabéns à Ilhas em Rede, que se comemorem mais aniversários.

Acedendo ao blogue da Ilhas em Rede pode visualizar outras fotografias: http://ilhasemrede.wordpress.com
Joana Medeiros
Foi uma tarde muito bem passada, onde não faltaram petiscos e boa disposição. No fundo o que todas anseiam e esperam é que a Ilhas em Rede continue a crescer em reconhecimento e valorização.
Parabéns à Ilhas em Rede, que se comemorem mais aniversários.
Acedendo ao blogue da Ilhas em Rede pode visualizar outras fotografias: http://ilhasemrede.wordpress.com
Joana Medeiros
Celebração do 2º aniversário da Ilhas em Rede na ilha Terceira
Entre os dias 22, 23 e 24 de Julho celebrou-se em S. Mateus na Terceira, o 2º aniversário da Ilhas em Rede- Associação de Mulheres na Pesca nos Açores.
Neste encontro estiveram presentes algumas mulheres da pesca, nomeadamente, Mª Espírito Santo Ferreira (mulher da pesca de S. Miguel), Mª dos Anjos Medeiros (mulher de armador de S. Miguel), Lurdes Batista ( pescadora de S. Miguel), Ilídia Rosa (pescadora/armadora da Graciosa), Fátima Fontes (mulher de pescador da Flores), Glória Brasil, Isabel Belerique e Carmen Fisher, mulheres de pescadores da ilha Terceira, Mariana Martins também da Terceira e Clarisse Canha (Dinamizadora), Joana Medeiros (Técnica de apoio) e Laurinda Sousa (Técnica do projecto “Caminhos em Terra e no Mar. Mulheres na Pesca nos Açores).
No âmbito deste intercâmbio foram ministradas algumas acções, entre elas, Teatro do/a Oprimido/a, Desenvolvimento pessoal e social e informática e internet. Estas acções realizaram-se na Caso do Povo de São Mateus, e no Forte de São Mateus.
Este encontro foi uma iniciativa da Ilhas em Rede em parceria com a AMPA e a UMAR-Açores com o patrocinio da Subsecretaria Regional das Pescas e Direcção Regional das Pescas.

Joana Medeiros
Neste encontro estiveram presentes algumas mulheres da pesca, nomeadamente, Mª Espírito Santo Ferreira (mulher da pesca de S. Miguel), Mª dos Anjos Medeiros (mulher de armador de S. Miguel), Lurdes Batista ( pescadora de S. Miguel), Ilídia Rosa (pescadora/armadora da Graciosa), Fátima Fontes (mulher de pescador da Flores), Glória Brasil, Isabel Belerique e Carmen Fisher, mulheres de pescadores da ilha Terceira, Mariana Martins também da Terceira e Clarisse Canha (Dinamizadora), Joana Medeiros (Técnica de apoio) e Laurinda Sousa (Técnica do projecto “Caminhos em Terra e no Mar. Mulheres na Pesca nos Açores).
No âmbito deste intercâmbio foram ministradas algumas acções, entre elas, Teatro do/a Oprimido/a, Desenvolvimento pessoal e social e informática e internet. Estas acções realizaram-se na Caso do Povo de São Mateus, e no Forte de São Mateus.
Este encontro foi uma iniciativa da Ilhas em Rede em parceria com a AMPA e a UMAR-Açores com o patrocinio da Subsecretaria Regional das Pescas e Direcção Regional das Pescas.
Joana Medeiros
quinta-feira, 1 de julho de 2010
“As Mulheres na Pesca nos Açores”

Entrevista a Maria do Espírito Santo Ferreira
Maria do Espírito Santo é uma mulher da pesca e desenvolve actividade em Rabo de Peixe. É casada com Eduardo Cabral, tem 6 filhos e 3 filhas, uma grande família onde não falta amor e carinho. Sempre esteve ligada à pesca, o seu pai era pescador e o seu sogro tinha um barco, colaborava na realização de algumas tarefas, nomeadamente na construção das redes.
Cinco dos seus filhos trabalham com o pai no mar e o seu neto de 10 anos, também diz que quer ser pescador, um aspecto interessante que demonstra que esta actividade, apesar dos tempos difíceis por que está a passar, é geracional, ou seja, em alguns casos é transmitida ao longo de gerações.
Mª do Espírito Santo e o seu marido têm um barco de boca aberta e tal como outras mulheres ligadas à pesca, trabalha na administração do barco. Apesar de recomendar o trabalho na pesca, considera que o sector piscatório necessita de algumas transformações. Devia haver mais apoios para poderem (re)construir as suas embarcações, refere também que hoje em dia é tão difícil trabalhar na pesca, e são muitas as razões associadas a esta dificuldade. Neste sentido, mostrou-se bastante indignada com algumas medidas que não são implementadas da melhor forma, uma que leva a que muitos pescadores deixem de ir para o mar, e outra que é a questão do IRS, no sentido em que, todos os anos pagam valores excessivamente elevados.
Contudo, quando lhe foi interrogado se gostaria de ter tido outra profissão, Mª do Espírito Santo disse que sim, pelo facto de poder ter o seu próprio rendimento, porque apesar de trabalhar na pesca, esse trabalho não é remunerado.
Foi interessante verificar que os seus filhos e o marido reconhecem o seu trabalho na pesca e admiram-na por isso, considerando que tudo o que ela faz não se trata apenas de uma ajuda.
Por tudo isto, Mª do Espírito Santo refere que já há mais respeito pelas Mulheres na Pesca, o que significa que todo o trabalho que tem sido desenvolvido nesta área está a produzir bons resultados.
Joana Medeiros - Sociólogo
“As Mulheres na Pesca nos Açores”
A "Voz dos Marítimos" no Açoriano Oriental passou a integrar, a partir de Maio, uma secção intitulada “As Mulheres na Pesca nos Açores” que conta com notícias, testemunhos e entrevistas a profissionais da pesca, nomeadamente mulheres, tendo como lema: Valorizar as Mulheres na Pesca é também valorizar o sector Piscatório.

A primeira entrevista realizada foi a Maria dos Anjos Medeiros, natural de Água de Pau, casada com Manuel Carlos Pacheco, armador, mãe de uma rapariga e dois rapazes.
Foram-lhe colocadas algumas questões, quanto à sua ligação com a pesca. Maria dos Anjos referiu que o seu avô e o seu pai já eram pescadores, logo este trabalho vinha sendo transmitido ao longo de gerações. Deste modo, sempre ajudou o seu pai e a sua mãe em tarefas relacionadas com a pesca, como por exemplo na cozedura da batata para o engodo. Isto porque a pesca a que a sua família estava ligada era, sobretudo, a da captura do chicharro durante a noite, e por ser mulher esta tarefa não era considerada como apropriada.
Aos 20 anos, pela altura em que casou, esta actividade tornou-se mais frequente. Ela e o seu marido sempre tiveram um barco, o filho mais velho trabalha com o pai no mar, e a filha mais nova, também já tem licença. Todas as tarefas relacionadas com a administração do barco são desempenhadas por Maria dos Anjos, nomeadamente, as compras que são feitas para o barco, a gestão dos documentos legais e o pagamento dos próprios homens da companha. Não esquecer que, para além disso, também é mãe e esposa e como tal são muitas mais, as tarefas que desempenha diariamente.
Contudo é importante salientar, que para muitos homens e até para algumas mulheres, todo este trabalho desempenhado pela mulher na pesca, é considerado como uma “ajuda”….
Na sequência destas declarações debateu-se a questão da invisibilidade e da discriminação que existe em relação às mulheres na pesca. Maria dos Anjos mencionou que há alguns anos atrás a sua presença não era muito bem aceite, especialmente, quando ia à lota, fazendo com que não se sentisse bem neste meio. Todavia, ela indica que hoje em dia “é como ir ao supermercado”, o que significa que aos poucos as mulheres estão a ser reconhecidas e valorizadas, visto que também têm um papel predominante neste sector.
Assim, quando lhe foi questionado se desejava ter tido outra profissão, a entrevistada referiu que muitas vezes preferia trabalhar fora, assim seria considerada como trabalhadora e obteria o seu próprio rendimento, embora recomende vivamente esta profissão.
Quanto à gestão do sector piscatório, algumas medidas que a Maria dos Anjos considera que deviam ser alteradas, estão relacionadas com a falta de valorização deste sector e com o aumento da frota. Segundo ela, por cada barco novo que se constrói devia-se abater um velho, ou seja, devia haver um maior compromisso por parte de todos os que trabalham no sector piscatório.
Contudo, apesar das adversidades que a vida de um pescador acarreta, por exemplo, relativamente ao estado do tempo, do mar, do preço do pescado, entre outros, Maria dos Anjos realça que o trabalho na pesca é deveras importante para todos/as e dele dependem muitas famílias.
Joana Medeiros - Socióloga

A primeira entrevista realizada foi a Maria dos Anjos Medeiros, natural de Água de Pau, casada com Manuel Carlos Pacheco, armador, mãe de uma rapariga e dois rapazes.
Foram-lhe colocadas algumas questões, quanto à sua ligação com a pesca. Maria dos Anjos referiu que o seu avô e o seu pai já eram pescadores, logo este trabalho vinha sendo transmitido ao longo de gerações. Deste modo, sempre ajudou o seu pai e a sua mãe em tarefas relacionadas com a pesca, como por exemplo na cozedura da batata para o engodo. Isto porque a pesca a que a sua família estava ligada era, sobretudo, a da captura do chicharro durante a noite, e por ser mulher esta tarefa não era considerada como apropriada.
Aos 20 anos, pela altura em que casou, esta actividade tornou-se mais frequente. Ela e o seu marido sempre tiveram um barco, o filho mais velho trabalha com o pai no mar, e a filha mais nova, também já tem licença. Todas as tarefas relacionadas com a administração do barco são desempenhadas por Maria dos Anjos, nomeadamente, as compras que são feitas para o barco, a gestão dos documentos legais e o pagamento dos próprios homens da companha. Não esquecer que, para além disso, também é mãe e esposa e como tal são muitas mais, as tarefas que desempenha diariamente.
Contudo é importante salientar, que para muitos homens e até para algumas mulheres, todo este trabalho desempenhado pela mulher na pesca, é considerado como uma “ajuda”….
Na sequência destas declarações debateu-se a questão da invisibilidade e da discriminação que existe em relação às mulheres na pesca. Maria dos Anjos mencionou que há alguns anos atrás a sua presença não era muito bem aceite, especialmente, quando ia à lota, fazendo com que não se sentisse bem neste meio. Todavia, ela indica que hoje em dia “é como ir ao supermercado”, o que significa que aos poucos as mulheres estão a ser reconhecidas e valorizadas, visto que também têm um papel predominante neste sector.
Assim, quando lhe foi questionado se desejava ter tido outra profissão, a entrevistada referiu que muitas vezes preferia trabalhar fora, assim seria considerada como trabalhadora e obteria o seu próprio rendimento, embora recomende vivamente esta profissão.
Quanto à gestão do sector piscatório, algumas medidas que a Maria dos Anjos considera que deviam ser alteradas, estão relacionadas com a falta de valorização deste sector e com o aumento da frota. Segundo ela, por cada barco novo que se constrói devia-se abater um velho, ou seja, devia haver um maior compromisso por parte de todos os que trabalham no sector piscatório.
Contudo, apesar das adversidades que a vida de um pescador acarreta, por exemplo, relativamente ao estado do tempo, do mar, do preço do pescado, entre outros, Maria dos Anjos realça que o trabalho na pesca é deveras importante para todos/as e dele dependem muitas famílias.
Joana Medeiros - Socióloga
quinta-feira, 4 de março de 2010
Grupo de Mulheres da Pesca na Europa reunem no Faial - Dignificação do trabalho feminino no sector "sem paternalismos"
Integrada no Encontro CCR-Sul que teve lugar na Horta, ilha do Faial, entre os dia 23 e 25 de Março, decorreu uma reunião do grupo Ad Hoc Mulheres da Pesca na Europa que contou com representantes de várias associações dos Açores, Continente, Galiza, Espanha, Canárias e França.
Visibilidade, valorização e promoção da mulher no sector das pescas na Europa constituem objectivos em comum destas mulheres, como comuns são também a maioria dos problemas, não obstante algumas especificidades próprias de determinadas regiões. Por exemplo, a realidade das esposas/colaboradoras (que asseguram vários trabalhos em terra de apoio às embarcações – trabalho este não identificado como serviço e como tal não remunerado) constitui uma situação transversal a várias regiões europeias. Trata-se de um trabalho de retaguarda de extrema importância que não é reconhecido nem encarado como tal. Ainda assim, em França existe o reconhecimento do estatuto de esposa/colaboradora - através do qual, e mediante o pagamento de quotas, a mulher usufrui de alguns benefícios sociais mas não é remunerada. O reconhecimento desse estatuto está espelhado na directiva europeia 86/613, mas, ou por desconhecimento ou falta de vontade, não é aplicado na maioria das regiões, onde se incluem os Açores. Aqui, como em outras zonas, o trabalho invisível - porque não reconhecido - das mulheres na pesca revela-se fundamental para a sobrevivência de muitas empresas familiares.
Papel importante desempenham também as mulheres no que respeita à diversificação de actividades ligadas ao sector, tendo sido apontados alguns exemplos de iniciativas femininas empreendedoras, que vão desde o turismo à restauração, passando pelo artesanato, entre outras.
Outra das constatações durante a reunião na Horta, foi a de que, não obstante o Eixo 4 do Fundo Europeu para a Pesca (FEP) reforçar o apoio às mulheres no sector piscatório, na prática o que se verifica é que isso não tem sido incentivado pelos governos a quem cabe actuar e dignificar o trabalho feminino “sem paternalismos”. Durante o encontro defendeu-se a necessidade de criação de instrumentos e mecanismos próprios para o efeito, para além da sua “criação no papel”. Apesar de consagrado o Princípio da Igualdade, não estão contempladas acções em concreto. Por esse motivo as mulheres da pesca na Europa defendem a importância da participação feminina nos centros de decisão para forçar, de facto, as politicas de igualdade.
Desta reunião, acolhida no seio do Encontro do Conselho Consultivo Regional - Zona Sul (CCR-S), sairam propostas concretas como sejam:
- Uma maior promoção das mulheres no sector da pesca;
- Revisão da directiva europeia 86/613, tendo em vista a evolução do estatuto de conjuge/colaboradora;
- Estatísticas Europeias diferenciadas por sexo;
- Maior participação das mulheres nos órgãos decisórios no debate sobre recursos europeus.
No âmbito desta reunião foi proposta ainda a criação de um grupo de trabalho específico sobre a mulher na pesca, integrado no CCR Sul.
Decidido ficou também a realização do V Encontro AKTEA nos Açores, mais precisamente na ilha do Faial. O encontro conta com o apoio da Sub-Secretaria Regional das Pescas e deverá ocorrer durante o último trimestre de 2010.
A anteceder esta reunião do Grupo Ad Hoc Mulheres da Pesca na Europa, teve lugar a primeira Assembleia Geral da “ILHAs em REDE” - Associação de Mulheres na Pesca nos Açores. Constituída em 2008, esta ssociação tem como principal objectivo promover a valorização sócio-profissional das mulheres da pesca no arquipélago, contribuindo para a Igualdade de Género no sector.
Texto de: Laurinda Sousa
Fotografia de: Ana Bela
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
As mulheres na Pesca nos Açores- Caminhos em Terra e no Mar- Novo projecto da UMAR-Açores já em curso

No seguimento do trabalho que tem vindo a efectuar tendo em vista a promoção da igualdade e equidade de género no sector das pescas nos Açores, a UMAR-Açores (Associação para a Igualdade e Direitos das Mulheres) deu já início a um novo projecto intitulado Caminhos em Terra e no Mar.
São objectivos deste novo projecto: prosseguir a intervenção no sentido de promover a igualdade entre mulheres e homens no sector piscatório; apoiar iniciativas e promover actividades específicas que proporcionem uma maior inclusão e participação das mulheres no sector; observar a evolução da situação da mulher no sector e na comunidade, aprofundando o estudo em áreas identificadas na investigação já realizada; contribuir para a constituição de núcleos locais de desenvolvimento inclusivo das mulheres; apoiar o associativismo e a consolidação das estruturas já existentes; promover iniciativas de desenvolvimento formativo, empresarial e sócio-cultural.
No decorrer do projecto, com a duração de dois anos e meio e que conta com o apoio da Subsecretaria Regional das Pescas, estão previstas, entre outras, actividades como a promoção e a participação em encontros regionais e transnacionais, várias acções de formação, actividades de investigação e promoção do empreendedorismo feminino, recolha e compilação de receitas de peixe em todas as ilhas e lançamento de um novo portal na internet, este já em fase de construção.
No terreno está já também o inquérito que se destina a fazer a recolha de receitas de pescado, essencialmente de chicharro, e que visa em simultâneo apurar dos hábitos alimentares das comunidades piscatórias açorianas. Para além de procurar ainda identificar a utilização de peixe ao longo dos tempos, o inquérito, a ser aplicado junto das diferentes comunidades da região, visa também caracterizar aspectos envolventes (como sejam os locais habituais de confecção) e alguns aspectos relacionados com o género e o acto de cozinhar.
Caminhos em Terra e no Mar poder-se-á considerar a 3ª etapa do movimento de valorização das mulheres na pesca nos Açores, sucedendo aos projectos Mudança de Maré e As Mulheres na Pesca nos Açores. Como resultado do trabalho desenvolvido até agora pela UMAR- Açores de salientar duas edições em livro: Inclusão, Percursos para a Igualdade (2006) e Estamos cá. Existimos. (2008). De realçar ainda o incremento do associativismo feminino nas pescas, com a constituição da AMPA (2007) e da Ilhas em Rede (2008).
Laurinda Sousa
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Projecto de Relatório sobre o Livro Verde da Política Comum de Pescas


Teve lugar na cidade da Horta, no dia 14 de Novembro, um workshop sobre a “Reforma da Política Comum de Pesca: Debate entre Regiões” organizado pela Eurodeputada Maria do Céu Patrão Neves, com o intuito de se discutir a própria PCP e o Livro Verde.
Neste workshop foram abordados vários temas, estando em discussão a redução da ZEE (Zona Económica Exclusiva), as quotas que têm sido impostas, a prevenção dos recursos, etc., conforme se pode ver no programa do workshop que se encontra em anexo.
Relativamente ao trabalho desenvolvido pela Eurodeputada Maria do Céu Patrão Neves, no que concerne ao sector das Pescas há que salientar o recente Projecto de Relatório sobre o Livro Verde da Política Comum de Pescas do dia 10 de Novembro de 2009, do qual se destacam várias ideias incluídas em diferentes capítulos deste Relatório:
Tendo em conta:
“as suas resoluções (…) “sobre redes de mulheres: pesca, agricultura e diversificação e de 28 de Setembro de 2006 sobre a melhoria da situação económica no sector das pescas (…)”.
Considerando o seguinte:
“A natureza dos constrangimentos que afectam as regiões ultraperiféricas (RUP), cuja permanência, intensidade e conjugação as diferenciam das demais regiões da UE (União Europeia) com desvantagens geográficas e/ou com problemas demográficos”
“ A actividade da pesca é responsável pelo sustento de inúmeras comunidades costeiras que a ela se têm dedicado há várias gerações, contribuindo assim, além disso, para a herança cultural da UE.”
“O sector comunitário da pesca assegura um abastecimento alimentar de qualidade superior e desempenha um papel fundamental para o emprego e a coesão social das regiões litorais, periféricas e ultraperiféricas da UE.”
Aspectos gerais:
“Congratula-se com a iniciativa da Comissão de apresentar o Livro Verde em apreço, iniciativa que desencadeia um procedimento de consulta e um importante debate de ideias sobre os constrangimentos e os desafios que se colocam à actual PCP, tendo em vista a sua reforma urgente e profunda.”
Frisa o seguinte:
“Apesar da profunda reforma de que foi objecto em 2002, 27 anos após a sua criação a PCP debate-se com graves problemas, genericamente caracterizados pela tetralogia da sobrepesca, da sobrecapacidade, do sobreinvestimento e do desperdício, aos quais se acrescentam outros, como a regressão económica e social que se verifica actualmente no sector, a globalização do mercado dos produtos da pesca e da aquicultura, e as consequências das alterações climáticas.”
E ainda alguns ASPECTOS ESPECÍFICOS, referidos no Relatório
Protecção e conservação dos recursos e conhecimento científico
“Considera que os compromissos assumidos pela PCP de inversão das consequências económicas e sociais decorrentes da redução das possibilidades de pesca devem ser compatíveis com a sustentabilidade do sector a longo prazo.”
Rentabilidade da actividade e valorização profissional
“Reafirma que a pesca é uma actividade fundamental, não apenas no plano alimentar mas também nos planos social e cultural, que constitui em muitas regiões costeiras da Europa um meio de subsistência importante e, em alguns casos, único para um elevado número de famílias que dele dependem directa ou indirectamente, e que contribui para a dinamização do litoral e para a integração do tecido socioeconómico na orla costeira, em sintonia com outras actividades marítimas.”
Finalmente o
Projecto de Relatório sobre o Livro Verde da Política Comum de Pescas
“Considera necessário garantir o mesmo estatuto para todos os pescadores, homens e mulheres, em todos os Estados-Membros, nomeadamente no que se refere ao acesso à segurança social, e estabelecer uma estratégia de apoio financeiro aos profissionais da pesca que, em virtude do reajustamento da capacidade de pesca à disponibilidade dos recursos haliêuticos, possam perder o seu emprego.”
Joana Medeiros e Clarisse Canha
UMAR-Açores
Reunião da DRIO na Horta
No dia 13 de Novembro, a Direcção da Ilhas em Rede Associação de Mulheres na Pesca nos Açores foi recebida pela Directora Regional da Igualdade, Dra. Natércia Gaspar.
Esta audiência, serviu para dar a conhecer a Ilhas em Rede, a realidade das mulheres na pesca, o caminho percorrido para sua visibilidade e valorização do seu papel nas comunidades e no sector da pesca artesanal.
A Ilhas em Rede fez-se representar por elementos da sua direcção: Ângela, Clarisse, Fátima e Glória.
Ver mais em http://ilhasemrede.wordpress.com
Joana Medeiros
Esta audiência, serviu para dar a conhecer a Ilhas em Rede, a realidade das mulheres na pesca, o caminho percorrido para sua visibilidade e valorização do seu papel nas comunidades e no sector da pesca artesanal.
A Ilhas em Rede fez-se representar por elementos da sua direcção: Ângela, Clarisse, Fátima e Glória.
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Joana Medeiros
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